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Trilha 03 · DMN e regras de negócio

DMN × gateway: quando usar cada um

Nem toda decisão merece uma tabela. Aqui estão os critérios práticos para escolher entre condição no gateway, regra DMN, ou os dois juntos — com exemplos de empresa e de órgão público.

A regra de ouro

O gateway decide o caminho. A regra decide o valor.

O gateway sempre existe quando o fluxo se divide — ele é quem manda o token por um caminho ou outro. A pergunta não é “gateway ou DMN”, e sim: a condição do gateway é simples o suficiente para ficar nele, ou ela esconde uma política de negócio que merece uma tabela?

Fique só no gateway quando…

  • A pergunta é binária e estável: “Aprovado?”, “Documentação completa?”, “Cliente desistiu?”.
  • A resposta vem direto de uma pessoa num formulário (um campo “Decisão: aprovar / devolver”).
  • A condição testa o resultado de um bloco do sistema: ${documentGateOutcome == 'CANCELLED'}, ${integrationOutcome == 'REJECTED'}.
  • Não há números mágicos nem listas de casos.

Exemplo real: no fluxo “Venda de veículo novo”, o gateway “Após autorizar” testa ${acao == 'pendencia'} — a gerente escolheu “pendência” no formulário. Não há política escondida ali.

Use uma regra DMN quando…

  • A condição tem limites numéricos que alguém pode mudar (alçadas, valores de dispensa, faixas de pontuação).
  • A decisão depende de várias variáveis combinadas (tipo de ação e valor da causa).
  • Há muitos casos (mais de três saídas, ou listas de tipos).
  • O resultado não é um caminho, e sim um dado: um prazo, um cargo responsável, uma lista de documentos, um percentual.
  • A regra tem dono fora da TI (jurídico, controladoria, diretoria) que precisa ler e validar.
  • A regra está numa norma que muda (decreto, portaria, política comercial).
Por que isso importa

Cada número que você escreve dentro de um gateway é uma dívida: quando ele mudar, você publica uma versão nova do fluxo, e os processos que já estão rodando continuam com o número antigo. Numa regra DMN publicada, o novo número vale na próxima avaliação de todos os processos. Isso também é um risco — por isso a regra precisa de dono e de teste — mas é um risco controlado e visível.

O padrão combinado

Na prática, o melhor desenho quase sempre combina os dois: regra calcula → gateway roteia.

O gateway “Risco?” ficou trivial: três condições curtas. Toda a política de crédito (renda, valor, histórico) está na tabela.

E quando o resultado da regra não é um caminho, às vezes você nem precisa de gateway:

  • Prazo: regra prazoPorAto → bloco “Calcular prazo” → prazo da tarefa. Nenhum gateway.
  • Responsável: regra alcadaDesconto → saída Cargo → grupo candidato ${aprovador} da tarefa. Nenhum gateway.
  • Documentos: regra docsPorTipoDeVenda → “Itens a pedir” da Solicitação de documentos. Nenhum gateway.

Exemplos lado a lado

Situação Melhor escolha Por quê
“Gestor aprovou?” Gateway Resposta direta de uma pessoa
Alçada de aprovação de compras por valor DMN (saída Cargo) Limites mudam; resultado é um responsável
Prazo de resposta por tipo de requerimento DMN + Calcular prazo Tabela com muitos tipos; resultado é um número
Documentos exigidos para licença por tipo de atividade DMN COLLECT Resultado é uma lista
“Documentos aprovados ou cancelados?” Gateway Testa o resultado de um bloco do sistema
Classificação de prioridade (idade, deficiência, ordem judicial) DMN UNIQUE + gateway Várias variáveis; base legal anotada nas linhas
“Venda direta da fábrica ou pela concessionária?” Gateway Duas opções estáveis escolhidas no formulário
No setor público

Em órgãos públicos, prefira DMN sempre que a regra vier de ato normativo (lei, decreto, portaria, resolução). Coloque a referência na anotação de cada linha. Quando a norma mudar, a equipe publica nova versão da regra com a referência atualizada — e a linha do tempo de cada processo mostra qual versão foi aplicada.

Cuidados com a vigência imediata

Como a regra publicada vale para a próxima avaliação de todos os processos, pense na transição:

  • Processos que já passaram pela tarefa de regra mantêm a decisão antiga (fica gravada).
  • Processos que ainda vão passar usarão a regra nova, mesmo que tenham começado antes da mudança.

Se a norma disser “aplica-se apenas aos pedidos protocolados após a data X”, modele isso: acrescente uma entrada de data (por exemplo, data do protocolo) e linhas que distinguem o antes e o depois.

ChecklistChecklist: esta condição deveria virar regra?0/6

Duas ou mais marcadas: transforme em regra.

Resumo

  • Gateway decide o caminho; regra decide o valor.
  • Use só gateway para perguntas binárias estáveis e para testar resultados de blocos.
  • Use DMN para limites, combinações, listas, responsáveis dinâmicos e regras com dono de negócio.
  • O padrão mais comum é regra calcula → gateway roteia (ou regra alimenta prazo, responsável e documentos diretamente).
  • Planeje a transição: a nova versão vale na próxima avaliação de todos os processos.
QuizVerifique seu entendimento0/3 respondidas · 0 certas
1.O fluxo precisa enviar a tarefa para Gerente ou Diretor conforme o valor. Qual o desenho mais sustentável?
2.Qual destas condições NÃO precisa de regra DMN?
3.Um decreto muda a alçada só para pedidos protocolados a partir de 1º de março. Qual o cuidado?
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