Trilha 02 · BPMN na prática
Piscinas, raias e responsáveis
Piscinas e raias mostram visualmente quem participa e quem faz o quê. São ótimas para conversar com o cliente — mas no Autoflow elas não definem quem recebe a tarefa. Esta é uma das lições mais importantes da trilha.
Piscina e raia
- Uma piscina (pool) representa um participante: uma organização, um sistema ou um papel externo (“Prefeitura”, “Cidadão”, “Despachante”).
- Uma raia (lane) divide a piscina por papel ou área: “Protocolo”, “Setor técnico”, “Diretoria”.
- Entre piscinas diferentes, a comunicação é por fluxo de mensagem (seta tracejada), nunca por fluxo de sequência.
Raias são ótimas por um motivo humano: em uma reunião, todos enxergam onde estão as passagens de bastão. Cada vez que o fluxo cruza uma raia, há uma passagem — e passagens são onde mora a espera e a perda de informação. Use raias sempre nos diagramas AS-IS e na apresentação do TO-BE.
O ponto crítico: no Autoflow a raia é só visual
No Autoflow, a raia não define quem recebe a tarefa. O responsável vem exclusivamente da configuração da própria tarefa de usuário:
- Responsável (
assignee): por exemplo${initiator}, para devolver a quem iniciou; - Grupo candidato (
candidateGroups):pos:CARGO,dept:<id>,dept:<id>+pos:CARGO, ou uma variável vinda de regra.
Você pode colocar uma tarefa na raia “Diretoria” e configurá-la com pos:ESTAGIARIO — ela vai para os estagiários. O editor não cruza as duas informações.
Por isso, os fluxos de referência do Autoflow (venda de veículos, emplacamento, advocacia) não usam raias: a responsabilidade está toda nas tarefas.
Então devo usar raias ou não?
| Situação | Recomendação |
|---|---|
| Diagrama AS-IS e apresentações ao cliente | Use raias: comunicam muito bem |
| Fluxo executável no Autoflow, equipe experiente | Pode dispensar; mantenha nomes de tarefa claros |
| Fluxo executável no Autoflow, cliente quer ver raias | Pode usar, mas confira tarefa por tarefa se o grupo candidato bate com a raia |
Antes de publicar um fluxo com raias, percorra cada tarefa de usuário e confirme: “esta tarefa está na raia X e o grupo candidato é o cargo/departamento de X?”. Um erro aqui só aparece em homologação, quando a tarefa cai na caixa da pessoa errada.
Como definir responsáveis bem
${initiator}
Volta para quem abriu. Use para complementar, corrigir pendências, tratar recusas. Não pode ser devolvida à fila.
pos:CARGO
Fila para todos com o cargo, na unidade do processo. É o caso mais comum.
dept:<id>
Fila para toda a área, independente do cargo.
dept:<id>+pos:CARGO
Só o cargo dentro daquela área. Ex.: analistas do Financeiro.
Há ainda a atribuição dinâmica: uma regra de negócio com saída do tipo Cargo (por exemplo, “alçada de desconto” devolve GROUP_ADMIN ou MATRIX_MANAGER) grava uma variável, e a tarefa usa ${aprovador} como grupo candidato. Assim, quem aprova muda conforme o valor, sem desenhar três caminhos.
Participantes externos
Quando alguém de fora executa uma etapa (cliente, fornecedor, cidadão), desenhe-o como raia ou piscina no AS-IS. No Autoflow, a etapa recebe um papel externo (configurado no painel “Participantes externos” do editor) e é executada pelo Portal Autoflow. A tarefa continua com um grupo candidato interno, para que alguém da organização possa concluí-la em nome do participante se necessário. Detalhes na trilha 07.
No setor público, use as raias para evidenciar a competência legal: cada raia corresponde a um órgão ou setor que tem atribuição definida em norma. Isso ajuda o controle interno a validar o processo — e, no Autoflow, cada raia vira um cargo ou departamento com permissões compatíveis.
Resumo
- Piscina = participante; raia = papel ou área dentro dele.
- Raias são excelentes para comunicar e enxergar passagens.
- No Autoflow, a raia é só visual: o responsável vem do assignee ou grupo candidato da tarefa.
- Se usar raias no fluxo executável, confira a coerência tarefa por tarefa.
- Atribuição dinâmica por regra e participantes externos ampliam as opções.