Trilha 02 · BPMN na prática
O token: como o motor "pensa"
Para entender qualquer diagrama BPMN — e prever o que o Autoflow vai fazer — imagine uma ficha andando pelas setas. Essa ficha é o token. Dominar esta ideia é o salto entre desenhar caixinhas e desenhar processos que funcionam.
A ideia em uma frase
Um tokenToken — Marcador imaginário que percorre o diagrama indicando "onde o processo está". Gateways criam, consomem ou escolhem caminhos de tokens. é um marcador imaginário que indica onde o processo está agora. Quando um processo começa, nasce um token no evento de início. Ele percorre as setas, entra nas atividades, passa pelos gateways e, quando chega a um evento de fim, é consumido. Quando não sobra nenhum token, o processo terminou.
Por que aprender isso? Porque o motor do Autoflow (Camunda) funciona exatamente assim. Todo comportamento que parece “estranho” — um processo travado, uma tarefa que aparece duas vezes, um caminho que não foi seguido — se explica olhando para os tokens. Quem pensa em tokens prevê o comportamento do sistema antes de publicar.
Passo a passo: o que acontece em cada momento
Avance os passos abaixo e acompanhe o token e as variáveis do processo.
Três aprendizados importantes nesse exemplo:
- A tarefa de usuário é um estado de espera. O token para e o motor não faz nada até alguém concluir. Um processo é, na prática, uma sequência de esperas.
- Formulários alimentam variáveis. Cada campo concluído vira uma variávelVariável de processo — Dado guardado na instância (ex.: valor, tipoVenda). Vem dos campos dos formulários e das regras; usado nas condições dos gateways. do processo, usada depois em decisões (gateways) e regras.
- O fim é quando acabam os tokens, não quando chega ao “último desenho da direita”.
Veja no diagrama real
Agora com o motor de verdade. Ligue a Token Simulation (canto superior esquerdo) e clique no ▶ que aparece no evento de início. Na simulação, as tarefas passam sozinhas — no sistema real, cada uma esperaria uma pessoa.
Quando nasce mais de um token
Um gateway paralelo (losango com +) divide o token em vários: um para cada caminho de saída. Os caminhos andam ao mesmo tempo, de forma independente. Na junção, outro gateway paralelo espera todos os tokens chegarem e os funde em um só.
Na simulação, repare que os tokens chegam à junção em momentos diferentes e ficam esperando. É exatamente o que acontece no Autoflow quando o exame admissional termina antes de TI criar os acessos: o processo não avança para o contrato até tudo estar pronto.
As três regras de ouro dos tokens
| Regra | O que significa | Consequência se ignorar |
|---|---|---|
| Quem divide, junta com o mesmo tipo | Abriu com paralelo, feche com paralelo | Execução duplicada ou processo travado (veja a lição de gateways) |
| Todo caminho precisa chegar a um fim | Nenhum token pode ficar sem saída | Processo nunca termina |
| Toda decisão precisa ter saída garantida | Gateway exclusivo com fluxo padrão | Se nenhuma condição for verdadeira, o token não tem para onde ir e vira incidente |
Quando um token não consegue continuar por um erro técnico (condição que não fecha, integração fora do ar), o Camunda cria um incidente. No Autoflow ele aparece na aba Incidentes do processo e em Monitoramento › Incidentes, onde quem tem permissão pode Retentar, Corrigir variáveis ou Pular (em tarefas automáticas).
Resumo
- O token marca onde o processo está; o motor do Autoflow funciona exatamente assim.
- Tarefas de usuário são estados de espera: o token para até alguém concluir.
- Formulários geram variáveis que alimentam decisões.
- Gateway paralelo divide em vários tokens e junta esperando todos.
- O processo termina quando não sobra token.